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Agile User Experience e o Chaos Report

Este vídeo de 7 minutos mostra uma apresentação editada do Declan Whelan sobre a experiência de usuário integrada à processos de desenvolvimento ágeis de software. Logo no começo ele comenta do Chaos Report, do The Standish Group.

Já é a segunda vez que ouço falar desse relatório em uma semana. Vá gostar de caos assim no inferno em laboratório de astronomia!

Será que ninguém nunca vai aprender a gerenciar projeto de software nesse planeta? 31% de projetos descontinuados é muita coisa! Isso só prova que ainda estamos, mesmo depois de 14 anos do relatório do Standish Group, muito longe de um ambiente aceitável de projeto e gerenciamento de projetos de base tecnológica. E muito mais longe ainda do Estado da Arte no desenvolvimento destes projetos.

A certa altura, Declan coloca que “software development is not a repeatable process” (desenvolvimento de sofware não é um processo [facilmente] repetível), de forma a mostrar que a abordagem da questão não é um simples manual de métodos e processos.

Mas a tela mais fundamental da apresentação é essa:

“Desenvolvedores focam em stakeholders. Designers focam em usuários.” Essa entrou para o rol de frases para momentos oportunos.

Apesar da filmagem colocar Declan em primeiro plano e os slides em segundo, os slides são excelentes, com textos hiper-concisos e dá para ler tudo numa boa (dá para ter uma idéia na imagem acima).

É fundamental integrar mais os mundos de desenvolvimento de software (especialmente a análise de sistemas) e a arquitetura da informação.

Cada vez que vejo Arquitetos de Informação tentando reinventar a roda com coisas que os Analistas podem resolver (e que já tem fundamentação há bastante tempo) e Analistas se matando para resolver problemas que os Arquitetos já consideram patterns, vejo que ainda temos um longo caminho a trilhar.

Porém, enquanto Arquitetos virem Analistas comos “os caras da TI” e os Analistas virem os Arquitetos e Designers como “os caras cheios de idéias”, vamos continuar caindo nos mesmos problemas que o Chaos Report documentou há 14 anos.

Por isso, esse vídeo é altamente recomendado a ambos os públicos!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tea_CtOsCKw&hl=en]

Veja também: Agile User Experience – Métodos ágeis para Arquitetura da Informação

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Rafael Rez

Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado pela DVS Editora. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2013. Fundador da consultoria de marketing digital Web Estratégica, já atendeu mais de 1.000 clientes em 20 anos de carreira. Co-fundador da startup GoMarketing.cloud. Fundou seu primeiro negócio em 2002, de onde saiu no final de 2010. Foi sócio de outros negócios desde então, mantendo sempre como atividade principal a direção geral da Web Estratégica. Além de Empreendedor e Consultor, é Professor em diversas instituições: HSM Educação, ILADEC, Cambury, ESAMC,ALFA, ESPM, INSPER. Em 2016 fundou a Nova Escola de Marketing.

  • Muitos dos problemas, em qualquer projeto, se deve à comunicação interna da equipe… o mais complicado é fazer com que todos saibam tudo que precisam sobre o projeto e suas possibilidades. Nossa cultura de criar especialistas contribui muito para que não entendamos o trabalho de outra área e não compreendamos caso tentem nos explicar. Eu sempre vejo gerentes querendo um cara que seja bom em X, mas saiba entender de Y e Z… Por exemplo, se você é programador, tem de entender como é montado um HTML, qual o processo e a importância do design, como é feita a venda, como o cliente funciona etc. Não adianta se fechar no seu mundinho, senão acaba assim… projeto descontinuado, cliente insatisfeito e prejuízo no bolso.

  • Essa visão do todo é fundamental. E mais que a visão, o respeito pelos insights que outras áreas de conhecimento geram.

    Os caras da 37 signals fazem um comentário ácido no livro “Getting Real”: “Procure por generalistas que aprendem rápido em vez dos especialistas limitados”.

    Só fica a dúvida: como saber se alguém aprende rápido antes de contratar?

    Abraço,

    Wally

  • O Kent Beck (um dos criadores do XP) fala que o desenvolvimento de software tem que ser como dirigir numa estrada reta. De pouquinho em pouquinho vamos modificando a direção pra manter o carro em linha reta. Não vamos reto até sair da pista pra descobrir que estamos fora. Acho que essa ideia se encaixa perfeitamente no design de interfaces, tendo um feedback constante e acolhendo modificações.

  • Salve Cáceres!

    Cara, matou a pau. Essa história de só detectar erros no final de grandes ciclos não dá mais para aturar. Fazer pequenos ciclos permite descobrir que o caminho está errado bem antes.

    Essa analogia da estrada é muito boa, eu ainda não conhecia.

    O Declan colocou essa palestra no SlideShare, vale a pena dar uma olhada.

    Abraço,

    Wally

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