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Ler online está nos tornando mais burros?

Recebi este artigo do The Atlantic 3 vezes nos últimos dias. Irocanicamente, gravei nos favoritos para ler mais tarde. Só na terceira vez em que recebi a recomendação é que li mesmo o texto.

A primeira recomendação do texto, quando o Nascido me mandou, dizia “texto longo e em inglês, mas vale a pena ler”.

A ironia só teve nexo quando li o texto, que aponta justamente que a forma como lemos online está mudando a capacidade de raciocinar, entender e refletir sobre textos longos e mais profundos.

Este trecho é esclarecedor:

“We are how we read.” Wolf worries that the style of reading promoted by the Net, a style that puts “efficiency” and “immediacy” above all else, may be weakening our capacity for the kind of deep reading that emerged when an earlier technology, the printing press, made long and complex works of prose commonplace. When we read online, she says, we tend to become “mere decoders of information.” Our ability to interpret text, to make the rich mental connections that form when we read deeply and without distraction, remains largely disengaged.

Já este trecho soa estarrecedor:

“Ambiguity is not an opening for insight but a bug to be fixed.”

O entendimento da ciência sobre a cognição ainda é incipiente (apesar de eu não ser neurocientista, estou papagaiando o que se costuma ouvir de amigos que são médicos/psicólogos/psiquiatras), apesar de ter aberto vários caminhos para um melhor entendimento de como funciona o cérebro, mas é um fato que a facilidade de buscar conteúdo online torna as coisas mais convenientes, no entanto isso também dificulta a memorização, a imersão e um entendimento mais completo do assunto pesquisado. Basta um “define:” no Google para seguir em frente.

Tenho cultivado o hábito de grifar (a lápis) os livros que leio, fazendo anotações nas margens para a posteridade. Elas já me foram úteis ao procurar assuntos em livros sem índice remissivo, pesquisar sobre assuntos que li há muito tempo ou relembrar um livro todo só lendo os trechos grifados.

Mas o maior benefício vem justamente da memorização. Quando grifo, acabo lendo o trecho algumas vezes e memorizando a passagem, memória que costuma durar anos ou vir à mente em situações oportunas. Me lembro daquelas dicas de estudo que os cursinhos costumam dar na frase pré-vestibular, quando os professores enfatizavam que escutar, ler e anotar aumenta a probabilidade de entender e a capacidade de memorizar os conteúdos.

Voltando ao artigo, Nicholas Carr atribui no título a “culpa” pela menor capacidade de lermos ao Google, o que ativou um link recente na minha memória: Confidencial: 22 Leis do Google que vazaram. Ao que parece, cada vez mais gente acredita na Teoria da Conspiração: Sergey e Larry querem mesmo dominar o mundo. Muita gente mesmo.

De fato, a facilidade de encontrar informação, armazenar informação e [teoricamente] recuperar esta informação torna nosso cérebro mais preguiçoso. Por isso, considero a reflexão de Carr a citação do ano:

“That’s the essence of Kubrick’s dark prophecy: as we come to rely on computers to mediate our understanding of the world, it is our own intelligence that flattens into artificial intelligence.”

Por isso, recorro ao Wurman para terminar: “Aprender é lembrar o que nos interessa.”

Não leia mais, leia melhor!

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Rafael Rez

Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado pela DVS Editora. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2013. Fundador da consultoria de marketing digital Web Estratégica, já atendeu mais de 1.000 clientes em 20 anos de carreira. Co-fundador da startup GoMarketing.cloud. Fundou seu primeiro negócio em 2002, de onde saiu no final de 2010. Foi sócio de outros negócios desde então, mantendo sempre como atividade principal a direção geral da Web Estratégica. Além de Empreendedor e Consultor, é Professor em diversas instituições: HSM Educação, ILADEC, Cambury, ESAMC,ALFA, ESPM, INSPER. Em 2016 fundou a Nova Escola de Marketing.

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