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Por uma desesperadora necessidade de humildade

“O mundo precisa de mais gênios humildes. Restaram poucos de nós!”

A frase é de Oscar Wylde. Uma ironia bem-humorada sobre um dos aspectos mais intrigantes do caráter humano, a falta de humildade. Esta pretensa noção de superioridade que todos nós carregamos e da qual alguns (poucos) tentam se curar, através das mais variadas manifestações meta-físicas (ou “metafísicas”, já nem sei, viva a reforma antográfica).

Com todo esse hype em torno de diálogos, imagens, marcas, celebridades, a noção de humildade ficou em algum ponto da história recente da humanidade. Tentei procurar na Wikipedia, mas não achei onde.

Uma sociedade que organiza seus valores em torno de causas sem a menor importância não pode se dizer autêntica. Se não custar a sua vida, não é uma causa.

Chris Locke, Doc Searls, David Weinberger já avisavam no Cluetrain Manifesto:

“Uma poderosa conversação global começou. (…) Seus membros se comunicam em uma linguagem que é natural, aberta, honesta, direta, engraçada e muitas vezes chocante. Quer seja explicando ou reclamando, brincando ou séria, a voz humana é genuína. Ela não pode ser falsificada.”

Uma voz humana que não acredita, que não é autêntica, não pode ser humilde. Será autêntica se for humilde, mas jamais será humilde se não for autêntica. E só os humildes podem ser verdadeiramente prepotentes. Só tem o direito de ser prepotente aquele que carregar uma mensagem autêntica.

Uma tocha olímpica que valha o esforço, a dedicação de uma vida por um objetivo. Uma tocha que não tem significado, que não representa uma mensagem não vale o esforço de ser carregada nem a consideração de ser ouvida.

Por isso, mais do que nunca, sinto uma desesperadora necessidade de humildade. Humildade autêntica. As empresas precisam mudar. Para isso, as pessoas precisam mudar.

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Mário Quintana

A mídia social engaja as pessoas e muda a forma com que elas veem o mundo. Finalmente qualquer voz pode ser ouvida. E as vozes autênticas levam as pessoas a se engajar. Antes de falar de marketing, vamos falar de princípios. Aquilo que as empresas chamam de “valores”, logo após sua missão e sua visão. VA-LO-RES. AU-TÊN-TI-COS.

Explorar a conversação faz parte do jogo da sociedade capitalista, mas as regras do jogo são claras. Se não for autêntico, não tem conversa. Esta é a grande regra principal, a regra de ouro. Conversações. Diálogos. Não monólogos.

Quem entra nas mídias sociais sem respeitar a regra de ouro corre um grande risco.

Por isso, antes de cogitar iniciar uma conversa, é bom tomar uma boa dose de humildade:

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The Pale Blue Dot (O Pálido Ponto Azul)
A narração (se não me engano) é do Carl Sagan.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=40dql8LFDys&NR=1]

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Dance Monkeys, Dance!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=m89rYW0epTs]

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“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”
Carl Sagan

Hoje vou dormir mais humilde.

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Rafael Rez

Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado pela DVS Editora. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2013. Fundador da consultoria de marketing digital Web Estratégica, já atendeu mais de 1.000 clientes em 20 anos de carreira. Co-fundador da startup GoMarketing.cloud. Fundou seu primeiro negócio em 2002, de onde saiu no final de 2010. Foi sócio de outros negócios desde então, mantendo sempre como atividade principal a direção geral da Web Estratégica. Além de Empreendedor e Consultor, é Professor em diversas instituições: HSM Educação, ILADEC, Cambury, ESAMC,ALFA, ESPM, INSPER. Em 2016 fundou a Nova Escola de Marketing.

  • Rafael,

    Sou um leitor de seus posts, cara esse ficou espetacular, peço a permissão de poder divulgar esse post em meu blog com os devidos direitos de criação.
    Parabéns pela inspiração e interiorização.

    Aguardo resposta.

    Leonardo.

  • Cara… Fantástico!!!
    Acho que isto posiciona um monte de coisas importantes para a concepção da peça como um todo. Talvez vc tenha acabado de entoar o tema geral.
    O que acha de seguirmos esta linha?

    Abraços!

  • Bár-ba-ro seu post! Concordo plenamente, em gênero, número e grau! E, se quiser, passa no meu blog para “conversar” mais! 😉

    Beijos!

  • Muito o bom o post! parabéns!

  • Ler esse texto por indicação deve ter algum significado…

    Tirando a brincadeira, acho que humildade tem pouco a ver com autenticidade. Um pode existir sem o outro. Há muitos humildes que não são autênticos na sua humildade. Eu, por exemplo…

    Abraço, Rodolfo.

  • Entre tantas coisas para se pensar por conta desse texto, eu fiquei meio sem palavras, meu caro. Vou tentar organizar um comentário.

    Primeiro de tudo porque concordo com cada palavra aí em cima e eu diria um pouco mais: além de humildade, falta tolerância no mundo – o segundo vídeo tem muito a ver com isso.

    Segundo porque você escolheu o dia do meu aniversário para me passar o link. Por isso considero suas palavras de duas formas: como um imenso elogio que eu sequer sei agradecer e como uma lição sobre coisas que por vezes acabo esquecendo.

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