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iPad vs. Kindle > Apple pode retirar aplicativo do Kindle da App Store do iPhone e iPad

A Apple declarou guerra ao Kindle da Amazon, de vez. Segundo a matéria no Business Insider, a “Apple está tentando canalizar todos os pagamentos de bens digitais através de sua loja digital iTunes, impedindo empresas como a Amazon de vender através de canais próprios, sem dar à Apple uma parte nas vendas”.

Às vésperas do aguardado lançamento do iPad 2, é uma tacada e tanto contra a Amazon. Pelo menos por enquanto.

Uma pequena retrospectiva

O Kindle, leitor de livros digitais da Amazon foi lançado em 2007, usando tecnologia e-ink, que garante excelente contraste e imita bastante bem a impressão em papel, além de consumir pouca bateria. Desde então o Kindle se tornou o produto mais vendido da Amazon. No início, o Kindle era relativamente caro, mas conforme foram surgindo concorrentes (como o Nook da Barnes & Noble) o aparelho caiu de preço até chegar bem próximo ao preço de custo, de forma que a principal renda da Amazon vem da venda de livros digitais e conteúdos que possam ser lidos via Kindle, como jornais, que inclusive podem vender assinaturas via Amazon.

Kindle

Em 2010, quando a Apple lançou o iPad, não se sabia ao certo quais mercados ele iria ocupar, mas o alvoroço foi enorme e o aparelho da Apple criou todo um segmento de mercado em menos de 8 meses. Como estratégia de competição, a Amazon baixou mais ainda o preço do Kindle e liberou aplicativos de leitura para diversas plataformas: PC, iPhone, Android, BlackBerry e inclusive o iPad. O objetivo era que o cliente Kindle pudesse ler seus livros Kindle em qualquer ambiente, comprando somente uma vez e baixando em qual device quisesse (no entanto, paga-se por cada download adicional).

Apesar de muita gente reclamar que ler no iPad não é tão confortável quanto ler no Kindle, a briga pelo mercado de conteúdo pago é grande e voraz.

Só que ao comprar livros e conteúdos para Apps Kindle, os clientes de iPhones e iPads pagaem diretamente à Amazon e a Apple não ganha um tostão. Agora, manobra da Apple pretende que os usuários possam comprar os conteúdos fora da App também, via iTunes por exemplo, onde a Apple recebe uma gorda comissão de 30%!

Comparação das telas do iPad e do Kindle contra a luz

Pagar 30% de comissão à Apple aumentaria os custos da Amazon consideravelmente, diminuindo a competitividade e tirando da Amazon uma das poucas armas que restou na briga com o iPad, aparelho coqueluche da Apple.

Se as tablets com Android ganharem bastante mercado em 2011 e chegarem ao ponto de serem a maioria do mercado, como está acontecendo com os SmartPhones que usam Android, a Amazon pode ter boas esperanças de continuar faturando alto com conteúdo em formato digital Kindle. Mas, se a Apple levar à cabo seu plano de restringir as vendas aos seus próprios canais, a Amazon perderá uma fatia de mercado considerável composta pelos usuários de iOS.

iPad vs Kindle

É esperar para ver!

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Rafael Rez

Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado pela DVS Editora. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2013. Fundador da consultoria de marketing digital Web Estratégica, já atendeu mais de 1.000 clientes em 20 anos de carreira. Co-fundador da startup GoMarketing.cloud. Fundou seu primeiro negócio em 2002, de onde saiu no final de 2010. Foi sócio de outros negócios desde então, mantendo sempre como atividade principal a direção geral da Web Estratégica. Além de Empreendedor e Consultor, é Professor em diversas instituições: HSM Educação, ILADEC, Cambury, ESAMC,ALFA, ESPM, INSPER. Em 2016 fundou a Nova Escola de Marketing.