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Links com follow versus links com nofollow

PageRank nofollow

É curioso pensar que o Google nasceu de um projeto acadêmico chamado BackRub. O BackRub foi concebido para medir a quantidade de citações que um artigo acadêmico recebia. Quanto mais citações, mais importante o artigo.

Rapidamente o conceito evoluiu para mensurar o valor de uma página pela quantidade de links que ela recebia. Quanto mais links, maior o PageRank (o ranking que media o “valor” desta página pela fórmula do Google). Quanto maior o PageRank de um site, mais um link deste site valia.

Para evitar manipulações do PageRank (algumas pessoas passaram a comentar em blogs para ganhar links, entre outras coisas), o Google criou uma tag chamada nofollow, que teoricamente remove o valor de um link. O link para o usuário continua sendo idêntico, mas o buscador sabe que o Webmaster que criou o link não se responsabiliza pelo site linkado a seguir ou não tem controle sobre este link, de forma que pode haver algo inesperado após o click. Isto evitava também que o site com o link fosse prejudicado caso linkasse para alguma vizinhança ruim e perdesse parte do seu PageRank.

Algumas pessoas passaram a usar o nofollow como forma de esculpir seu próprio PageRank, de forma a só linkar para si mesmo, zerando o valor dos links que iam para fora de seu site.

Agora nos vemos discutindo se devemos usar nofollow para linkar para sites que nos linkam com nofollow. Um valor essencial da web – compartilhar com um link – se perde porque as pessoas ficaram egoístas com seus PageRanks. Elas receberam links válidos e agora não querem passar para frente este valor.

É a velha história do jardim de infância: a turma toda fica de castigo até que aquele que fez algo errado assuma a culpa e se apresente. Mas ninguém o entrega, porque isso seria falta de camaradagem. Entregar o culpado faz do delator uma pessoa não confiável, mas para ser confiável é preciso ser conivente e pagar o castigo junto.

A web toda perde parte de uma ferramenta útil porque uma meia-dúzia não sabe brincar. Pior ainda é saber que há um monte de paspalhos seguindo esta meia-dúzia. A maioria das pessoas que usa nofollow tem uma breve noção da função original do seu uso e usa de forma errada.

Santos Dumont morreu deprimido depois de ver o avião sendo usado na guerra.

Eistein lamentou ao ver o uso da energia atômica para a fabricação de bombas nucleares.

Arma na mão de macaco dá nisso.

A humanidade é uma instituição falida mesmo.

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Se quiser, siga-me no Twitter: @RafaelROliveira

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Rafael Rez

Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado pela DVS Editora. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2013. Fundador da consultoria de marketing digital Web Estratégica, já atendeu mais de 1.000 clientes em 20 anos de carreira. Co-fundador da startup GoMarketing.cloud. Fundou seu primeiro negócio em 2002, de onde saiu no final de 2010. Foi sócio de outros negócios desde então, mantendo sempre como atividade principal a direção geral da Web Estratégica. Além de Empreendedor e Consultor, é Professor em diversas instituições: HSM Educação, ILADEC, Cambury, ESAMC,ALFA, ESPM, INSPER. Em 2016 fundou a Nova Escola de Marketing.

  • hahaha! Muito divertidas suas colocacoes! O invento saiu do controle do inventor, pois as pessoas usam as ferramentas para o fim q precisam, nao para a finalidade da ferramenta em si – dont make me think. =p

  • Bacana, gostei do texto!
    Isso ‘me fez pensar’ que ultimamente vários sites, ao invés de colocar links, mesmo que com nofollow, estão colocando o endereço do site sem o link mesmo, somente como texto!
    Isso, na minha opinião, é mais que egoísmo! É sacanagem mesmo… o que custa facilitar para o seu próprio usuário?
    Abraços

  • É apenas uma questão de tempo até perceber-mos que tudo pode ser manipulado, excepto a inteligência humana, a criatividade a e vontade do consumidor. Existem já muitas outras formas de avaliar a qualidade de um website. Penso que hoje em dia a qualidade do website é avaliada pelo visitante. “Encontrou o que procurou?” Então bookmark, publique, passe a palavra… 🙂 essa é a magia do Marketing!

  • Isso é bem natural, tão qual a própria evolução das espécies.

    =D

    Parabéns pelo artigo Rafael!

  • Parabéns pelo artigo! Concordo, algumas pessoas acabam indo pelo caminho “mais fácil” no lugar de focar no essencial que é a criação de conteúdo relevante e exclusivo.
    Apesar de tudo, tenho confiança que as pessoas que focarem em conteúdo de qualidade colherão bons frutos.

  • Não conhecia essa estória do Google. É interessante saber como alguns conceitos podem ser aproveitados de outras maneiras.

    Basta pensar nos resultados, e não nas tarefas.

  • Que loucura que é tudo isso. Mais louco é imaginar como o Google lida com todos esses comportamentos.

  • Ponto de vista muito interessante.

    Talvez tudo fosse muito mais fácil se nós não nos adaptássemos às crescentes novas regras dos buscadores (nofollow, canonical…), mas sim se eles evoluissem e entendessem melhor a Internet como um todo.

    Afinal o usuário ainda é cego para estes artifícios, havendo uma tendência de todos nós alcançarmos tal ponto de complexidade, onde provavelmente uma regressão para ferramentas nas linhas originais do BackRub, apresentem resultados mais relevantes.

    Estamos nos aproximando de um ponto de ruptura onde deve haver algum tipo de inovação significativa, caso contrário o grosso dos recursos voltados para conteúdo acabarão em SEO, SERP e outras siglas do gênero.

  • Caraca! Cheguei agora (meio dia da segunda) e só agora vi os 8 comentários.

    @FrankMarcel Vi teu comentário no Fórum sobre a faca para apertar parafuso. Eu até entendo o porquê as pessoas o fazem, mas não consigo não me revoltar.

    @RogerioPA E aí cara, tudo bom contigo? Nós como AIs estamos acostumados a pensar no usuário como foco do processo, como o @MarcioOkabe colocou também. O problema é que quem pensa só no $ do usuário e não no usuário em si foco no curto e não no longo prazo.

    @Rubens_L Cara, Sua pergunta no Fórum foi a origem do post, obrigado por suscitar a discussão. Às vezes também penso se a primeira versão do algoritmo não seria mais eficiente hoje em dia do que este monstrinho adaptado cheio de tentáculos!

  • Olá, Rafael!

    Muito bacana o seu texto. Concordo mesmo com você, o nofollow virou uma expressão de egoísmo na net.

    Mas, há algo que colabora muito para isso: por default os blogs do Blogger e WordPress vêm com a opção nofollow para links ativada. Isso quer dizer que mesmo quem não conhece o conceito acaba fazendo uso disso!

    Lembro de minha revolta ao descobrir o famigerado nofollow alguns meses atrás. Fiz o que pude: desativei-o em meus blogs e escrevi um artigo divulgando o conceito e conclamando os interessados a me seguir. Ao menos, consegui alguns corajosos dispostos a fazer o mesmo.

    Um abraço e parabéns pelo ótimo texto!

  • @RafaelROliveira Obrigado pela atencao. Quer dizer que estou muito grato por ter me add a sua lista @RafaelROliveira/seo-brasil

    Valeu por observar o meu trabalho e meus estudos.

    SKYPE: heliorampazzo
    MSN: heliorampazzo@hotmail.com

  • Boa explicação.

    É sempre tem alguns espertalhões.

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